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sábado, 19 de novembro de 2011

O MOINHO - CAPÍTULO 5


Allan finalmente conhecerá Ruth de fato! Será que após conhecê-la, ele irá embora? Vejam agora no Capítulo 5. Boa leitura!

O MOINHO - CAPÍTULO 5

Allan sentou-se e sem cerimônias começou a saborear o delicioso coelho preparado por Ruth. Por algum tempo o silencio imperou no grande quarto que agora estava colorido, inclusive com uma cama preparada com lençóis brancos e limpos. Allan tinha certeza que aquela cama não estava lá antes, mas achou melhor não falar nada. Sabia que era bruxaria, mas nem pensava comentar a respeito.

- Ainda pensa que sou uma bruxa não é? Você devia ter acreditado no dono da taberna. Ele me conhece há muito tempo. Desde que era um garotinho fujão que eu encontrei na floresta no meio da noite. Deste dia em diante ele me admira e respeita e me deixa entrar em sua taberna para me divertir e caçar um pouco.

- Caçar?

- Sim, caçar. Sou uma vampira.

Disse Ruth, tomando um gole da taça, que, se observado direito tinha um líquido grosso e escuro demais para ser vinho.

Allan parou de comer imediatamente e perguntou:

- Se é vampira, que vai fazer comigo? Matar-me agora? Ou vai me guardar para quando tiver fome?

- Se quisesse já o teria matado na primeira noite, mas só caço pessoas ruins, de maus pensamentos e atitudes. O erro foi ter gostado de você. Tão puro de coração e tão bonito...

- Quer dizer que pode ler os pensamentos?

- Não necessariamente. Algumas vezes sim. Outras vezes sinto a aura da pessoa e posso afirmar com certeza se ela é ruim ou não.

- Sabe o que estou pensando agora?

- Que sou uma bruxa?

- Ah! Ah! Não... Penso como uma mulher tão linda pode ser vampira.

- Longa história. Começou mais ou menos como você. Eu me apaixonei pela pessoa errada. Fui até ele e pedi que me transformasse.

- Como assim? Você não nasceu vampira?

- Ninguém nasce vampiro. Não se sabe ao certo quem foi o primeiro, mas através dos séculos, somos transformados por nossos protetores.

- Protetores?

- Sim, vampiros que cansados de ficarem sós, escolhem alguém, não para saciar sua fome, mas para ter companhia.

- E sou seu escolhido?

- Não! Não quero para você o que sou! A eternidade é muito tempo!

- E onde está seu protetor?

- Foi morto pelos caçadores, homens que têm por profissão, nos caçar e matar?

- quer dizer que vocês também morrem?
- Sim, as lendas da estaca, do alho e da cruz são verdadeiras. Mas veja só! Eu ensinando a você como deve me matar!

- Não se preocupe você poupou minha vida, pouparei a sua!

O ambiente ficou cada vez mais calmo. Allan só tinha medo que Ruth lesse seus pensamentos e visse o quanto ela estava apaixonado por ela.

- Sim eu sei! Sinto também algo diferente por você!

- Nossa! Como faço para você parar de ler meus pensamentos?

- Vá embora e não volte mais à Galati.

- Não tenho nada e nem ninguém me esperando em Lion. Não quero voltar. Quero ficar aqui com você Ruth.

Allan disse isto se dirigindo para Ruth, pegando-a nos braços e dando um beijo em seus lábios carnudos e vermelhos como ela não sentia há muitos anos.

Pela primeira vez em todos seus anos de vampirismo, Ruth se sentiu mulher novamente. Allan despertara nela toda a meiguice que havia sumido pelos tempos.  Mas Ruth era uma vampira e seus instintos não tardaram a aparecer assustando Allan que se afastou quando sentiu os dentes caninos afiados de sua amada.

- Allan vá embora! Não há nada que podemos fazer! Não posso deixá-lo aqui para ser meu brinquedinho, eu o amo!

- Eu também a amo Ruth e não quero perdê-la nunca! Por favor, me transforme! Por favor! Preciso de você!

- Você não sabe o que está pedindo. É um caminho sem volta! Você perderá tudo o que é de mais bonito na vida. O brilho do sol, o canto dos pássaros, amigos, tudo!

- nada me importa a não ser ficar ao seu lado!

- Ruth, eu te amo!

Allan não ofereceu resistência quando Ruth se aproximou dando-lhe um leve beijo em seus lábios. Também não fez nada na hora em que ela, carinhosamente lhe mordeu o pescoço misturando o sangue impuro ao seu, iniciando o processo que o tornaria seu amado imortal.

- Durma meu amor! Você ainda terá um dia de sol. Aproveite-o, pois será o último.

Allan acordou cedo, com grande dor no corpo sentido como se sua carne fosse explodir.

Olhou para a janela e mesmo sem forças, caminhou até lá fora para ver o que sabia ser o último dia de sol de sua vida.

Aos poucos foi se acostumando com a dor. Tinha que ser forte para mostrar à sua amada que seu sofrimento estava valendo o que ela havia feito por ele. Saiu do quarto e começou a explorar novamente a casa onde estava. Notou que ela não estava mais em ruínas e não sabia se era imaginação ou se eram visões de sua nova vida.

Caminhou pelo jardim evitando os raios diretos de sol que já lhe incomodavam e viu porque Ruth havia dito com lágrimas nos olhos o que ele perderia sendo vampiro. O dia estava diferente, bonito, os pássaros estavam mais afinados e o sol brilhava de forma tão intensa que Allan tinha certeza de o sentir assim pela sua transformação.

Do mesmo modo que começou, o dia acabou rapidamente, deixando em Allan um gosto de saudades que só sumiu quando Ruth apareceu mais linda do que nunca, deixando o quarto com um brilho radiante.

- Como passou o dia?

- Aproveitei o máximo que pude. Agora estou pronto. Que vai acontecer?

- Ontem eu misturei nossos sangues, hoje você terá a segunda e última dose. Está preparado?

- Sim, claro.

- Preparei para você um jantar de despedida. Sua próxima refeição será como a minha.

- Precisarei matar pessoas?

- Só se for necessário. Você terá o dom de ler os pensamentos e ver as auras das pessoas e assim saberá separar as que merecem morrer e as que podem ser poupadas. Uma única mordida rápida, sem mistura de sangue, não prejudicará qualquer pessoa, que terá no máximo febre por alguns dias. Meu protetor chamava isto de jantar rápido. Várias vezes nos misturávamos às pessoas em multidões e saíamos sem sermos sequer percebidos pelos nossos alvos. Além do mais, podemos também nos alimentar de pequenos animais, como coelhos e veados. Particularmente prefiro o sangue dos humanos.

O jantar estava mesmo maravilhoso: javali com molho especial, pão amanhecido e vinho tinto de uma safra longínqua.

- Estou preparado!

- Que assim seja.

O MOINHO - CAPÍTULO 4


Para onde será que Ruth levou Allan? Descubram agora no Capítulo 4. Boa leitura!

O MOINHO - CAPÍTULO 4


Allan não teve tempo para nada.  Quando viu estava voando abraçado a Ruth.

As luzes da cidade foram ficando cada vez menores, até sumirem no horizonte.

Allan não entendia o que estava acontecendo. Pensou em se beliscar, para ver se não era um delírio de vinho, mas ficou com medo de cair. E com razão, pois estava bem alto, literalmente...

O Vôo durou pouco... Alguns minutos. Ruth ia rápido, como que fugindo e levando o perseguidor junto. Não tardaram a chegar a uma grande casa nos pés de uma colina, próximo a um extenso pântano.

Entrando por uma janela, Ruth deixou Allan no chão de um quarto dizendo:

- Fique aí e depois conversaremos.

- Como?

- Espere por mim.

E sumiu por um corredor escuro.

Allan estava muito tonto para entender o que havia acontecido naquela noite. Aninhou-se em um canto do quarto adormecendo em seguida.

Acordou assustado com o sol, que entrava pela janela, queimando seu rosto. De início não se lembrava como havia chegado até aquele local, mas depois de andar um pouco pelo quarto, a imagem de Ruth pegando-o no colo e pulando da sacada do quarto do hotel veio em à sua mente deixando-o perplexo com a situação.

Tratou de explorar a casa, procurando Ruth por todos os cômodos.

- Ruth! Ruth! Onde você está? Ruth!

Mas Ruth não estava em canto algum.

- Como alguém pode morar num lugar destes? Esta casa está toda em ruínas...

Descendo por uma escada que saía da cozinha, Allan chegou até uma grande porta trancada.

- Ruth! Você está aí? Ruth! Ruth!

Tentou abrir a porta usando toda sua força, mas desistiu logo.

- Não adianta muito pesada... Mas seja o que for que tem lá dentro, Ruth está lá.

Voltou para o quarto e ficou olhando a paisagem pela janela. O pântano, apesar de assustador à noite, era bonito de ser ver durante o dia. Os raios de sol batendo nas árvores e refletindo nas águas davam uma imagem bonita ao local sombrio. Esta visão o fez Allan recordar de sua infância, onde ouvia estórias de bruxas que moravam em pântanos e comiam crianças desavisadas.

É lógico que Allan há muitos anos sabia que aquelas estórias eram feitas para assustar as crianças e deixa-las com medo de se aventurarem pelas matas que circundavam a pequena vila onde moravam no interior da França.

- Será?

Tudo ficava cada vez mais claro! Sua avó tinha razão, Ruth era uma bruxa que usava seus poderes para se tornar bonita aos olhos dos homens e assim poder levá-los até sua casa, mata-los e oferecer seu sangue para algum deus pagão.

O sonho de uma mulher bonita e um amor que durasse para sempre estava se destruindo. Allan tratou de sair correndo da casa, mas não tardou para perceber que estava entre um pântano desconhecido e um penhasco. Já estava escurecendo e Allan sabia que precisava se defender da alguma maneira.

- Não vim até aqui para morrer! Vou lutar sim! Você vai ver sua bruxa!

- Quem é bruxa?

Disse Ruth, se aproximando de Allan em total silencio.

- Para trás! Não se aproxime de mim! Ou serei obrigado a matá-la!

- Eu sabia! Sabia que sua reação seria esta. Não sei por que insisti em ir vê-lo noite passada! Vá embora agora! O melhor caminho é rodear o pântano, você chegará à vila mais próxima em algumas horas.

Ruth terminou sua fala, virou-se e num pulo já estava no balcão do quarto olhando para Allan ainda paralisado, sem ação.

Depois de segundos de hesitação, Allan foi embora pelo caminho indicado tristemente por Ruth. Alguns minutos correndo foram o suficiente para Allan parar totalmente cansado em com fome.

- Deus! Onde estou agora? Tudo escuro! Não vou nunca achar o caminho de volta!

- Continue nesta direção Allan.
- Ruth! Por favor, não faça mal a mim!

- Por que acha que farei mal a você Allan?

- Você é uma bruxa... Não é?

- Não... Não sou... Infelizmente sou coisa pior. Mas não se preocupe, a você não farei nada.

- Não consigo ter medo de você. Quem é você Ruth?

- Vamos voltar para a casa. Lá conversaremos.

Allan sabia que não teria muito a discutir e pôs-se a voltar pela trilha.

- Quer vir comigo?

- Não, vou andando mesmo!

- Como quiser.

Disse Ruth, antes de sumir novamente pela mata densa.

Ao chegar a casa, Allan avistou o quarto iluminado pela lareira e Ruth no balcão o aguardando. Estava linda, mas Allan não queria pensar nisto.

- Deve ser feitiço.

- Ande logo, seu jantar esfriará!

Chegando ao quarto, Allan viu uma mesa posta com um belo coelho assado cheirando a tempero de pimenta, duas taças de vinho e Ruth em pé, próxima da lareira.

- Venha, sente-se, sei que está fraco e com fome.

- Você não vai comer?

- Hoje estou sem fome. Fique à vontade. Eu ficarei aqui para conversarmos. Não tenha medo. Não chegarei perto de você.

O MOINHO - CAPÍTULO 3


Amigos, conforme combinado, publico hoje o terceiro capítulo da saga.

O MOINHO - CAPÍTULO 3

Allan não precisava se alimentar todas as noites, mas sempre saía para não perder o costume. Divertia-se com os pensamentos que ouvia de pessoas ditas de bem. E que de bem, não tinham nada.

Saía também para não ficar com pensamentos e lembranças que só lhe faziam mal. Mas não adiantava, pois os pensamentos lhe acompanhavam por onde fosse...

Lembrava-se daquele rapaz de 28 anos, cheio de vida, com futuro promissor. Jovem advogado, que fora enviado de Lion, direto para Galati na Romênia às margens do Rio Danúbio, a fim de participar de uma grande transação imobiliária.

- Por que não fiquei no hotel? Por que fui naquela taberna?

A música era contagiante e entrava pela janela mesmo fechada. Allan não resistiu e desceu. Apenas para tomar uma taça de vinho...
Ruth estava lá. 1,70 metros, cabelos negros até os ombros, seios fartos, olhos negros, cintura fina e sorriso contagiante. Com o vestido vermelho que estava usando era impossível não notá-la. E Allan percebeu isso assim que entrou.

Ficou hipnotizado por tamanha beleza e desenvoltura. Ruth andava pelo bar, com se não notasse a presença dos homens à sua volta.

- Linda não é garoto?

Perguntou o dono do local.

- Sim, muito... É sua esposa?

- Ah! Ah! Ruth não é de ninguém... É uma vampira! Acredite! Vêm aqui às vezes, escolhe um homem que nunca mais volta!!

- Pare com isso senhor! Não tem respeito pelas damas?

- Dama? Só não me mata por que perderá sua fonte de comida!

- Ora meu senhor... Retire...

Neste momento Allan foi tocado nos ombros por uma mão macia, mas muito forte.

- Pensamentos puros! Que pena! Muita pena!

Disse Ruth, dando as costas e saindo do bar.

- Espere! Quem é você? Aonde vai?

Disse Allan, correndo atrás da mulher que mudaria seu destino para sempre.

- Espere...

Mas Ruth já havia sumido pela rua escura.

Allan saiu à sua procura, mas não viu nada por onde andava.

- Deve morar aqui perto, amanhã eu a encontro.
No dia seguinte, Allan trabalhou normalmente. Era muito importante o que estava fazendo e sabia que se tivesse sucesso, seria bem recompensado pelo seu patrão.

- Vá lá garoto e traga o contrato assinado!  Confio em você...

À noite, enquanto tomava banho, Allan sentiu um calafrio que lhe cortou a espinha. Ouviu com toda clareza: Pensamentos bons...que pena...Mas quando olhou para trás, não viu nada. Apenas a janela que estava fechada, encontrava-se aberta.

Colocou seu terno mais bonito e voltou à velha taberna. Ficou a noite toda aguardando, tomou quase uma garrafa de vinho, mas ela não apareceu.

- Eu falei que ela não vem aqui todas as noites. Ontem sumiu depois que viu você e não apareceu mais.

Allan quase perdeu a hora da assinatura contrato. Não dormira a noite toda pensando naquela mulher maravilhosa.

Não via a hora de terminar suas obrigações para voltar à velha taberna. Tinha certeza que encontraria Ruth antes de sua partida no próximo trem.

Novamente preparou-se para o encontro que não aconteceu. Sob risos do dono da taberna e tonto pelo excesso de vinho, saiu madrugada a fora procurando Ruth pelos becos de Galati.

Sem sucesso, voltou para o hotel pensando no que perdera e se teria oportunidade de voltar à Romênia algum dia e encontrar quem tanto procurava.

Dormiu profundamente, sonhou com Ruth: pensamentos puros... Que pena..O que ela queria dizer com isso?

Seu sono estava pesado. Nem percebeu quando sua janela se abriu e um vulto silencioso entrou sorrateiramente.

- Volte para sua terra!  Aqui não há nada para você... Sussurrou Ruth em seus ouvidos.

 -Quê??

Allan acordou assustado.

-Que houve? Quem está aí?

A cortina da janela balançava ao sabor do vento, formando imagens assustadoras para Allan, que a esta altura estava encolhido num canto da cama esperando que algo acontecesse.

Neste instante Ruth surgiu da penumbra, estava linda, com um vestido negro que contrastava com sua pele clara e seus cabelos pretos.

- Como entrou aqui?

- Não estava me procurando?

- Sim, mas...

- Só vim até aqui dizer para você ir embora e esquecer este lugar.

- Como?

- Vá e não volte mais!

- Por quê? Você é casada?

- Ah! Ah! Ah!  Você não é um garoto muito esperto!

Disse Ruth, alisando o rosto de Allan com suas mãos macias.

- Então me diga, por que devo ir embora? Quero ficar! Quero ficar com você!

- Quem sou eu? Você me conhece?

- Sim, você é Ruth, a mulher com quem vou me casar!

- Ah! Ah! Ah! Ah! Acertei, não é esperto mesmo!

- Não brinque comigo! Diga-me, como entrou aqui? Se não me quer, por que veio até aqui? Por quê?

- Quantos anos têm?

- 28

- E acha que já viveu o bastante?

- Sim, tenho algumas economias, posso ficar aqui e arrumar um emprego!

- Escute! Preste atenção: Vim aqui por que gostei de você, seus pensamentos puros me atraíram, mas não posso! Você não entende?

- Entender? Não sei nem como você apareceu! Como vou entender o que não sei?

Allan estava muito confuso e nervoso para conseguir raciocinar direito. Ruth viu o erro que cometera indo até seu quarto, pensava somente em se despedir do rapaz bonito que havia conhecido, mas as coisas fugiram de seu controle. Allan falava alto e ela tinha receio de acordar a todos e ter que deixar o garoto sozinho no meio do quarto.

- Venha comigo!

O MOINHO - CAPÍTULO 2


Amigos, obrigado e quem escreveu e mandou e-mails felicitando sobre esta estória. Vai ficar melhor a cada capítulo!
Boa leitura!

O MOINHO - CAPITULO 2


Enquanto corria, Pietra não conseguia esquecer e cena violenta que havia assistido. O homem que salvou sua vida, o que ele era? Quem ele era? O que fazia ali? Seria um demônio? Ou um anjo que veio salvá-la?



- Será que é uma mensagem de Deus? Será que devo voltar para casa?



Pietra, uma jovem italiana de 26 anos, havia chegado a Lion há apenas dois meses. Seu namorado, Tony havia partido sem deixar explicações. Disseram que tinha se engraçado com uma francesa que conhecera em Milão. Ela não podia admitir isso e como uma boa italiana, foi atrás dele. Não sabia exatamente para que. Se para perdoá-lo ou dar um final definitivo ao namoro de cinco anos. Mas o que não podia era ficar simplesmente parada sem fazer nada.



Juntou suas economias e partiu no primeiro avião para a França. Hospedou-se na Rue Moncy, próximo à prefeitura, pois era a única informação que tinha sobre o paradeiro de Tony. Mas depois de quase um mês andando pelas ruas da cidade, já tinha desistido de encontrá-lo.



Decidiu ficar mais um pouco. Desta vez para fazer turismo e conhecer tudo que a França tinha para mostrar.



Passeando um dia pelo Boulevard Dês Belges, conheceu um rapaz cordial e atencioso que insistiu muito em levá-la para conhecer as belezas de Lion. Como se mostrou bem educado, Pietra não teve como negar o convite.



Phillipe, foi assim que se apresentou, levou Pietra para lugares muito bonitos nos arredores da cidade. No final do dia, quase anoitecendo, disse:



- Agora vou levar você a um lugar que jamais esquecerá.



E virou em direção ao velho moinho na entrada da cidade.



Não tardou para Pietra perceber as intenções de Phillipe, mas era tarde demais. Estava só, em um lugar sombrio, com um assassino. Entregou sua vida desesperadamente nas mãos de Deus e rezou muito à espera de um milagre. E o milagre havia aparecido, na forma de um homem elegante, vestido de preto e com olhos azuis maravilhosos, mas que viraram vermelhos em segundos.



- Será um anjo ou um demônio?



Pensava, enquanto chegava a um posto de gasolina, cheio de pessoas que não acreditaram em sua história fantástica.



- Menina, volte para a Itália! Você está delirando! Isto são saudades de casa.



Disse uma senhora enquanto servia uma xícara de café à italianinha assustada sentada à sua frente.



- Vou fazer isso mesmo! Chega de brincar de turista. Nem dinheiro para isto eu tenho mesmo!



No hotel, Pietra não falou sobre o acontecido. Tinha medo de complicações com a polícia.



- Já pensou se acham aquele corpo e dizem que eu o matei? Os franceses adoram prender turistas!



Dormiu ou melhor, desmaiou na cama, vestida mesmo e sonhou com seu salvador. Vá embora garota e não volte mais aqui. Não sei se terei paciência novamente...



- Você é um anjo? Por favor,  diga que sim!!



Mas a imagem que via era a de um demônio de olhos vermelhos, sugando a vida de Phillipe.



Acordou de madrugada assustada.



- E se ele vem até aqui? E se não quiser testemunhas? Não!...Sei que ele é um anjo!



Sentiu um calafrio gelando suas costas e foi fechar a janela do quarto.



Allan só teve tempo de pular da sacada.



- Por que estou aqui? Ela não corre mais perigo. Já está segura agora.



E voltou para casa. O velho moinho na entrada da cidade. Afinal já estava amanhecendo e o sol não lhe fazia nada bem.



Pietra acordou tarde, com o corpo todo dolorido, mas se sentindo bem por estar viva. Decidiu que voltaria para a Itália.



- Mas não hoje. Hoje vou procurar meu anjo...só pode ser um anjo...



Depois de tomar um banho bem demorado, Pietra desceu até o saguão do hotel a fim de pegar algumas informações com o porteiro.



- O velho moinho está abandonado há anos! Ninguém sabe direito quem era o dono... Parece que a prefeitura já tentou derruba-lo, mas apareceu alguém pagando os impostos e assumindo as despesas de manutenção.



- E mora alguém lá?



- Tá brincando menina? Quem moraria num lugar daqueles? Dizem que tem algo de estranho lá e quem vai à noite, não volta mais.

- Volta sim!



- Como você sabe disso?



- Eu acho hora! O que pode acontecer com alguém lá dentro? Fantasmas não matam!



- E quem falou em fantasmas? Ali tem é o Demônio menina!



- Ou um anjo protetor!



- Ah! Ah! Ah! Menina... Acho melhor você voltar pra casa.



- Já ouvi isso ontem...



- Onde?



- Deixa pra lá...



Como estava entardecendo, Pietra decidiu deixar sua procura para o outro dia. Não saiu do hotel. Ficou atenta ao rádio, para ver se havia alguma notícia sobre a morte de Phillipe. Nada. Simplesmente nada...



Dormiu bem, desta vez não sonhou. Apenas dormiu profundamente.

O MOINHO - CAPÍTULO 1


Desde antes da moda dos vampiros inundar as prateleiras das livrarias, eu escrevi O MOINHO, uma estória interessante com paixões, amores perdidos, pessoas boas e pessoas más. Demorei quase dois anos para terminar. O que me inspirou a escrever foi uma frase muito interessante de Lestat de Lioncourt, o vampiro mais famoso de Anne Rice que, numa singela homenagem, repito no inicio desta saga. Como este conto é longo, o publicarei em 9 capítulos. Apaixonem-se por Pietra e por Allan... Eu me apaixonei... e adorei escrever este conto.

O MOINHO – CAPÍTULO 1

“Não há quem não sonhe com a eternidade. Quando a adquirimos, no início contra a nossa vontade, achamos que vamos conquistar o mundo, mas aprendemos a duras penas que temos que fazê-lo sozinhos, deixando para trás tudo e todas as pessoas que conhecemos e aprendemos a amar. A eternidade é muito tempo...”.
Lestat


No início o lugar era calmo. Allan ficava horas olhando para o nada e imaginando como teria sido sua vida se não tivesse conhecido Ruth.

Fazia seus passeios noturnos procurando pensamentos maus para saciar sua fome. Quando não encontrava, se contentava com os jantares breves, como sua Ruth chamava as visitas noturnas a festas e outros eventos, onde os dois sempre passavam despercebidos.

Hoje o lugar mudou muito, a cidade cresceu e abraçou o velho moinho, que reinava sozinho entre a Rue Henon e Rue Henry Gorjus, próximo ao Cemitério da cidade, tendo com principal vista o River Saône. Allan achava que perderia seu reduto, mas por incrível que pareça, ele conseguiu que o lugar continuasse intocável.  

“Coisas do destino” pensava Allan, enquanto via o futuro crescer à sua volta.

Certa vez, preparando-se para mais uma noite de caça, Allan ouviu gritos vindos da entrada do moinho.

- Saco! Mais um bando de arruaceiros para atrapalhar minha noite.

- Socorro!!

- Cala a boca sua vadia! Não adianta gritar, aqui só tem fantasmas, e você vai virar um deles em breve.

Allan começou prestar atenção no que se passava e pensou: “Hoje não vou ter que sair... trouxeram o jantar para mim”.

Imaginando ser alguma briga de ladrões (uma vez viu um briga de um casal de ladrões, ficou esperando o desfecho para se alimentar), Allan ficou atento ao que estava se passando.

- Não! Por favor! Não faça isso comigo!!
- Já mandei se calar! Quem mandou andar com quem não devia! Agora vai ser como eu quiser.....

- Leve minha bolsa, leve tudo, mas me deixe viva!

- E eu lá tenho cara de bonzinho? Levo a bolsa sim, depois que me divertir com você.

Não era o que Allan imaginava. Prestando atenção nos pensamentos, viu pureza na garota, mas no homem...

- Bom, deixa pra lá! O problema não é meu mesmo. Como disse o homem: quem mandou andar com quem não devia.

- Não! Por favor, não faça isso comigo!!

- Cala a boca!

Disse o homem, dando um tapa no rosto da menina.

Allan lembrou-se de Ruth e de como ela morreu, nas mãos dos caçadores. Ela não merecia o final que teve.

- Nãaaaooo! 

Num átimo, Allan colocou-se à frente do casal e com toda a frieza possível, já sabendo o desfecho da conversa, perguntou:

- O que está acontecendo aqui?

- Por favor, me salve!

- Cai fora! Ou vai morrer como esta vadia!

- Solte a moça agora!

- Ah! Ah! O doutorzinho quer briga é?

Num impulso animalesco, Allan voou no pescoço do homem, que segundos depois jazia sem vida em seus braços.

- AHHHHHHH ! Que é isso!!!
Gritava a menina, sem conter seu pavor diante da situação.

- Qual se nome garota?

- Pietra...  Por favor não machuque.

- Vá embora garota, e não ande mais por aqui. Não sei se terei paciência novamente.

Não foi preciso repetir. Em segundos, Pietra estava fora daquele lugar horrível, correndo como nunca imaginou que correria em sua vida.

Allan não pôde deixar de notar a beleza da garota. 1,68 metros, cabelos castanhos encaracolados até a cintura, olhos verdes, corpo de menina e rosto de mulher.

- O que ela fazia por aqui? Fiz bem sem salvá-la. Muito bonita para morrer, espero que tenha sorte na vida, como eu espero ter um dia...

O SOL, A PENEIRA, A FÊNIX E AS VENDAS


Sou Gerente de Vendas e como tal, tenho uma grande equipe de representantes que tenho por obrigação manter antenados e motivados.
No final do mes de Julho de 2011, fiz o texto abaixo para acompanhar as promoções que se iniciariam em agosto. Acho que deu certo, pois nossas vendas foram muito boas neste mês.
O texto tem duas partes distintas: a primeira, escrita por mim e no final, uma pequena parábola que é bastante utilizada por nós vendedores.
Publico aqui, por que acredito que este texto também sirva para nossa vida pessoal.

O SOL, A PENEIRA, A FÊNIX E AS VENDAS


Lembro-me quando criança, ouvir a expressão: TAPAR O SOL COM A PENEIRA e não entender muito bem o que significava. Com qual intenção alguém faria aquilo?
Hoje, quando eu digo que estou tendo sucesso em vendas, ouço muitos falarem que estou TAPANDO O SOL COM A PENEIRA, que as vendas não estão boas e que há tendência de não melhorar em curto prazo, etc. etc...
O mercado está passando por algumas dificuldades, concordo. Mas concordo também em dizer que nunca perdi a esperança de terminar o dia, pelo menos com uma venda realizada, com um cliente bem atendido.
Desde que me tornei Gerente de Vendas, há mais de 10 anos, sempre tive em mente que uma de minhas principais obrigações é a de motivar todos os profissionais que estão sob minha responsabilidade, seja com promoções, com frases de impacto, etc.
É nessa hora que me lembro da lenda da FÊNIX, pássaro mitológico que, apesar de cair no fogo, ressurgia das cinzas, mais forte do que antes.
Todos somos vendedores, sem exceção, e como profissionais, muitas vezes temos que ressurgir das cinzas mais de uma vez por dia, deixando de lado as objeções e frases negativas que ouvimos, para buscar lá no fundo, forças para continuar nossa jornada e terminar o dia com o maior número de pedidos dentro de nossa pasta, quanto possível.
Acredito que os Gerentes de suas outras representadas, estão pedindo mais empenho e dedicação, para que sua respectiva empresa não seja "esquecida" em suas apresentações e negociações com seus clientes.
Eu não sou exceção...rs
O mês de Julho foi bom e tenho certeza que o mês de agosto SERÁ ÓTIMO!!!!
Portanto amigos esqueçam o SOL e a PENEIRA... Fixem-se na FÊNIX. Não se incomodem com os nãos que irão receber... lembrem-se que quantos mais nãos recebemos, mais perto estamos do SIM...


Abaixo, um pequeno texto:
NA ÁFRICA, TODO DIA BEM CEDO, O ANTÍPOLE ACORDA E SE PREPARA PARA CORRER. POIS, SE ELE NÃO ESTIVER PREPARADO, O LEÃO CERTAMENTE O PEGARÁ E O COMERÁ.
NA ÁFRICA, TODO DIA CEDO, O LEÃO ACORDA E SE PREPARA PARA CORRER. POIS, SE ELE NÃO ESTIVER PREPARADO, CERTAMENTE NÃO PEGARÁ O ANTÍLOPE E PASSARÁ FOME.
NÃO IMPORTA SE NA VIDA VOCÊ É UM ANTÍLOPE OU UM LEÃO. O IMPORTANTE É ACORDAR CEDO E SE PREPARAR PARA CORRER...
Boas vendas a todos!!!!
Não se esqueçam: Contem comigo, por que eu conto com vocês...
$UCE$$O!!!!

CRÔNICA DE UM AMOR ETERNO


Será que somente nós, os humanos, temos a grande sorte de nos apaixonarmos? Já foi comprovado que outras espécies de mamíferos têm esta capacidade.
Agora... será que outros seres também se apaixonam? eu particularmente acho que qualquer ser que tenha vida, tem sim a chama da paixão dentro de si...

CRÔNICA DE UM AMOR ETERNO

Nasceram... Primeiro ele e após algum tempo, ela.
No inicio, ele acompanhou seu crescimento, viu como ela ficava cada vez mais bonita e vistosa em relação às outras.
Ela, por sua vez, não lhe dava muita atenção e somente começou a notá-lo quando estava quase de seu tamanho.
Reparou como ele era imponente e como chamava a atenção de todos que por lá passavam.
Aos poucos começaram a se interessar um pelo outro, primeiro de forma menos intensa, depois com mais interesse.
Ele foi o primeiro a dizer que gostava dela. Ela foi a primeira a dizer que o amava.
Seguiram assim durante muito tempo, se olhando, conversando, dizendo frases apaixonadas.
Nunca se tocaram. Apesar de certa proximidade, era impossível fazê-lo. Este era o único sentimento que não compartilhavam. Por vezes era angustiante, mas não havia como se aproximarem. Tocavam-se com palavras e com juras de amor eterno.
Às vezes, outros casais, destes que podiam se tocar, os usavam para demonstrar sua paixão. Doía um pouco, mas era gratificante saber que eles seriam o símbolo do amor de outras pessoas.
Certa vez ela ficou doente, ele desesperou-se, pensando que a perderia para sempre, porém como a ajuda foi rápida, em pouco tempo, lá estava ela linda e majestosa como sempre.
Com o passar dos anos, suas juras de amor aumentaram, assim como a vontade de se aproximarem, se abraçarem e desta forma ser um só. Esta era sua grande vontade: Ser um só, para sempre.
Veio a seca e com ela os tempos ruins. Fome e sede eram o que mais assustava a todos do local. Ele sempre fazia um esforço extra para que sobrasse mais alimento para ela dentro do pouco espaço que tinham.
Uma brasa de cigarro começou o incêndio. Ele, já fraco e sem forças para agüentar muito, era atacado pelas chamas. Ela, em um último e grande esforço, conseguiu chegar próximo a ele e assim ser atingida pelo fogo que o consumia. Era melhor assim. Não conseguiria viver sozinha.
Todos podiam jurar que as fumaças que saíam deles, criaram dois corações que se entrelaçaram como que num abraço infinito.
No dia seguinte, manchete nos jornais:

INCÊNDIO QUEIMA DUAS ARVORES CENTENÁRIAS NA PRAÇA CENTRAL DA CIDADE.