Desde antes da moda dos vampiros inundar as prateleiras das livrarias, eu escrevi O MOINHO, uma estória interessante com paixões, amores perdidos, pessoas boas e pessoas más. Demorei quase dois anos para terminar. O que me inspirou a escrever foi uma frase muito interessante de Lestat de Lioncourt, o vampiro mais famoso de Anne Rice que, numa singela homenagem, repito no inicio desta saga. Como este conto é longo, o publicarei em 9 capítulos. Apaixonem-se por Pietra e por Allan... Eu me apaixonei... e adorei escrever este conto.
O MOINHO –
CAPÍTULO 1
“Não há quem não sonhe com a eternidade.
Quando a adquirimos, no início contra a nossa vontade, achamos que vamos
conquistar o mundo, mas aprendemos a duras penas que temos que fazê-lo
sozinhos, deixando para trás tudo e todas as pessoas que conhecemos e
aprendemos a amar. A eternidade é muito tempo...”.
Lestat
No início o lugar era calmo. Allan ficava horas olhando
para o nada e imaginando como teria sido sua vida se não tivesse conhecido
Ruth.
Fazia seus passeios noturnos procurando pensamentos
maus para saciar sua fome. Quando não encontrava, se contentava com os jantares
breves, como sua Ruth chamava as visitas noturnas a festas e outros eventos,
onde os dois sempre passavam despercebidos.
Hoje o lugar mudou muito, a cidade cresceu e abraçou o
velho moinho, que reinava sozinho entre a Rue Henon e Rue Henry Gorjus, próximo
ao Cemitério da cidade, tendo com principal vista o River Saône. Allan achava
que perderia seu reduto, mas por incrível que pareça, ele conseguiu que o lugar
continuasse intocável.
“Coisas do destino” pensava Allan, enquanto via o
futuro crescer à sua volta.
Certa vez, preparando-se para mais uma noite de caça, Allan
ouviu gritos vindos da entrada do moinho.
- Saco! Mais um bando de arruaceiros para atrapalhar
minha noite.
- Socorro!!
- Cala a boca sua vadia! Não adianta gritar, aqui só
tem fantasmas, e você vai virar um deles em breve.
Allan começou prestar atenção no que se passava e
pensou: “Hoje não vou ter que sair... trouxeram o jantar para mim”.
Imaginando ser alguma briga de ladrões (uma vez viu um
briga de um casal de ladrões, ficou esperando o desfecho para se alimentar), Allan
ficou atento ao que estava se passando.
- Não! Por favor! Não faça isso comigo!!
- Já mandei se calar! Quem mandou andar com quem não
devia! Agora vai ser como eu quiser.....
- Leve minha bolsa, leve tudo, mas me deixe viva!
- E eu lá tenho cara de bonzinho? Levo a bolsa sim,
depois que me divertir com você.
Não era o que Allan imaginava. Prestando atenção nos
pensamentos, viu pureza na garota, mas no homem...
- Bom, deixa pra lá! O problema não é meu mesmo. Como
disse o homem: quem mandou andar com quem não devia.
- Não! Por favor, não faça isso comigo!!
- Cala a boca!
Disse o homem, dando um tapa no rosto da menina.
Allan lembrou-se de Ruth e de como ela morreu, nas mãos
dos caçadores. Ela não merecia o final que teve.
- Nãaaaooo!
Num átimo, Allan colocou-se à frente do casal e com
toda a frieza possível, já sabendo o desfecho da conversa, perguntou:
- O que está acontecendo aqui?
- Por favor, me salve!
- Cai fora! Ou vai morrer como esta vadia!
- Solte a moça agora!
- Ah! Ah! O doutorzinho quer briga é?
Num impulso animalesco, Allan voou no pescoço do homem,
que segundos depois jazia sem vida em seus braços.
- AHHHHHHH ! Que é isso!!!
Gritava a menina, sem conter seu pavor diante da
situação.
- Qual se nome garota?
- Pietra... Por
favor não machuque.
- Vá embora garota, e não ande mais por aqui. Não sei
se terei paciência novamente.
Não foi preciso repetir. Em segundos, Pietra estava
fora daquele lugar horrível, correndo como nunca imaginou que correria em sua
vida.
Allan não pôde deixar de notar a beleza da garota. 1,68 metros, cabelos castanhos
encaracolados até a cintura, olhos verdes, corpo de menina e rosto de mulher.
- O que ela fazia por aqui? Fiz bem sem salvá-la. Muito
bonita para morrer, espero que tenha sorte na vida, como eu espero ter um
dia...
