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sábado, 19 de novembro de 2011

O MOINHO - CAPÍTULO 4


Para onde será que Ruth levou Allan? Descubram agora no Capítulo 4. Boa leitura!

O MOINHO - CAPÍTULO 4


Allan não teve tempo para nada.  Quando viu estava voando abraçado a Ruth.

As luzes da cidade foram ficando cada vez menores, até sumirem no horizonte.

Allan não entendia o que estava acontecendo. Pensou em se beliscar, para ver se não era um delírio de vinho, mas ficou com medo de cair. E com razão, pois estava bem alto, literalmente...

O Vôo durou pouco... Alguns minutos. Ruth ia rápido, como que fugindo e levando o perseguidor junto. Não tardaram a chegar a uma grande casa nos pés de uma colina, próximo a um extenso pântano.

Entrando por uma janela, Ruth deixou Allan no chão de um quarto dizendo:

- Fique aí e depois conversaremos.

- Como?

- Espere por mim.

E sumiu por um corredor escuro.

Allan estava muito tonto para entender o que havia acontecido naquela noite. Aninhou-se em um canto do quarto adormecendo em seguida.

Acordou assustado com o sol, que entrava pela janela, queimando seu rosto. De início não se lembrava como havia chegado até aquele local, mas depois de andar um pouco pelo quarto, a imagem de Ruth pegando-o no colo e pulando da sacada do quarto do hotel veio em à sua mente deixando-o perplexo com a situação.

Tratou de explorar a casa, procurando Ruth por todos os cômodos.

- Ruth! Ruth! Onde você está? Ruth!

Mas Ruth não estava em canto algum.

- Como alguém pode morar num lugar destes? Esta casa está toda em ruínas...

Descendo por uma escada que saía da cozinha, Allan chegou até uma grande porta trancada.

- Ruth! Você está aí? Ruth! Ruth!

Tentou abrir a porta usando toda sua força, mas desistiu logo.

- Não adianta muito pesada... Mas seja o que for que tem lá dentro, Ruth está lá.

Voltou para o quarto e ficou olhando a paisagem pela janela. O pântano, apesar de assustador à noite, era bonito de ser ver durante o dia. Os raios de sol batendo nas árvores e refletindo nas águas davam uma imagem bonita ao local sombrio. Esta visão o fez Allan recordar de sua infância, onde ouvia estórias de bruxas que moravam em pântanos e comiam crianças desavisadas.

É lógico que Allan há muitos anos sabia que aquelas estórias eram feitas para assustar as crianças e deixa-las com medo de se aventurarem pelas matas que circundavam a pequena vila onde moravam no interior da França.

- Será?

Tudo ficava cada vez mais claro! Sua avó tinha razão, Ruth era uma bruxa que usava seus poderes para se tornar bonita aos olhos dos homens e assim poder levá-los até sua casa, mata-los e oferecer seu sangue para algum deus pagão.

O sonho de uma mulher bonita e um amor que durasse para sempre estava se destruindo. Allan tratou de sair correndo da casa, mas não tardou para perceber que estava entre um pântano desconhecido e um penhasco. Já estava escurecendo e Allan sabia que precisava se defender da alguma maneira.

- Não vim até aqui para morrer! Vou lutar sim! Você vai ver sua bruxa!

- Quem é bruxa?

Disse Ruth, se aproximando de Allan em total silencio.

- Para trás! Não se aproxime de mim! Ou serei obrigado a matá-la!

- Eu sabia! Sabia que sua reação seria esta. Não sei por que insisti em ir vê-lo noite passada! Vá embora agora! O melhor caminho é rodear o pântano, você chegará à vila mais próxima em algumas horas.

Ruth terminou sua fala, virou-se e num pulo já estava no balcão do quarto olhando para Allan ainda paralisado, sem ação.

Depois de segundos de hesitação, Allan foi embora pelo caminho indicado tristemente por Ruth. Alguns minutos correndo foram o suficiente para Allan parar totalmente cansado em com fome.

- Deus! Onde estou agora? Tudo escuro! Não vou nunca achar o caminho de volta!

- Continue nesta direção Allan.
- Ruth! Por favor, não faça mal a mim!

- Por que acha que farei mal a você Allan?

- Você é uma bruxa... Não é?

- Não... Não sou... Infelizmente sou coisa pior. Mas não se preocupe, a você não farei nada.

- Não consigo ter medo de você. Quem é você Ruth?

- Vamos voltar para a casa. Lá conversaremos.

Allan sabia que não teria muito a discutir e pôs-se a voltar pela trilha.

- Quer vir comigo?

- Não, vou andando mesmo!

- Como quiser.

Disse Ruth, antes de sumir novamente pela mata densa.

Ao chegar a casa, Allan avistou o quarto iluminado pela lareira e Ruth no balcão o aguardando. Estava linda, mas Allan não queria pensar nisto.

- Deve ser feitiço.

- Ande logo, seu jantar esfriará!

Chegando ao quarto, Allan viu uma mesa posta com um belo coelho assado cheirando a tempero de pimenta, duas taças de vinho e Ruth em pé, próxima da lareira.

- Venha, sente-se, sei que está fraco e com fome.

- Você não vai comer?

- Hoje estou sem fome. Fique à vontade. Eu ficarei aqui para conversarmos. Não tenha medo. Não chegarei perto de você.