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sábado, 19 de novembro de 2011

JÓIA - MÚSICA ESCRITA POR UM GRANDE AMIGO


Neste dia 14 de Setembro, um grande amigo meu, quase irmão, faria aniversário. Infelizmente ele faleceu precocemente em março de 1997.
Aprendi muito com o Neto e com as aventuras que vivemos intensamente em Porangaba, cidade distante mais ou menos 160 km de São Paulo.
Como lá não tínhamos muito que fazer, o divertimento era chegar à noite e ir direto para o Bar da Marisa para tomar cerveja e tocar moda de viola. O neto escreveu algumas boas músicas e acho que a que eu publico agora é uma de suas últimas. Não me peçam para dar a entrada da melodia, pois como todo o bom tocador de moda de viola, só conheço o SOL, RÉ e FÁ.
Perdemos-nos no tempo e cada um seguiu sua vida, mas as lembranças da juventude em Porangaba, sempre estarão frescas em minha memória.
Ele nunca disse a real intenção de escrever esta música, mas acredito que era para alguém que conheceu.
Salve Neto! Continue abençoado amigo!
JÓIA
Letra e música de João Batista Mendes Neto
Seu manto é roupa indecente
sua aura é luz se apagando
na barra de sua saia
tem criança chorando.

Os olhos vagueiam pela janela
numa ilusão noturna
e trazem à sua mente
um homem que com ela durma.

E que também durma sua criança
para não conhecer a indecência
sendo o trabalho de sua mãe
por ela, por pão, por carência.

Que os sussurros no quarto único
que os gemidos ao homem qualquer
sejam a esta criança
cantigas de mãe, jóia pura, mulher.

O cavalheiro como chegou
assim por certo saiu
a grana sobre o colchão
é o pão que ele não viu.

E o que mais vale a esta mulher
é o beijo da criança sonolenta
que por certo pensa ser a única
a sugar o seio que a alimenta.